O vinho Bad Boy fica aqui nos Jardins     


Breno Raigorodsky
Filósofo, publicitário, consultor de vinhos, idealizador do WineIn, articulista para várias publicações, autor dos livros Cervejaria, Vinícolas de Charme Itália, Embutidos, da sobrevivência à gastronomia, blog : winecoachbr.com

Já escrevi de passagem sobre o Jean Luc Thunevin, um grande herói do mundo do vinho, conhecido como “Bad Boy”, que soube se estabilizar no topo, aproveitando a fama conseguida pela força que o gigacrítico do vinho Robert Parker lhe deu, desde a sua primeira degustação do seu primeiro vinho, o Valandraud.
Já escrevi que em aula, em degustação às cegas, seu vinho Montagne de Saint Emilion foi campeão concorrendo com vinhos que custam algumas vezes mais. Já escrevi que o senhor Jean Luc Thunevin mostrou-se em conversas com jornalistas uma das pessoas mais brilhantes, sinceras e desarmadas que jamais tive oportunidade de entrevistar.
O que não escrevi é que seus vinhos estão à disposição dos brasileiros na Al.Franca 1225, entre a Hadock Lobo e a Augusta, na Casa do Porto, regida pelo Péricles Santos Gomes, com sua intuição para o que é bom em matéria de vinho, consolidada através de 27 anos de labuta.

Os vinhos Bad Boy estão à disposição dos brasileiros na Casa do Porto - Al.Franca 1225.

Os vinhos Bad Boy estão à disposição dos brasileiros na Casa do Porto – Al.Franca 1225.

Breno Raigorodsky – Péricles, como é ser exclusivo do Thunevin, este cara que mexeu com Bordeaux e sua caretice, quebrando tabus de vários séculos, ganhando status de primeiro time mesmo não fazendo parte da aristocracia bordalesa?
Péricles Santos Gomes – O seu primeiro vinho ganhou a nota mais alta de Bordeaux pelo Parker em 1993, safra 1991. Obviamente isso foi um grande incentivo na mídia e, claro, aproveitou para surfar na onda. Mas nunca deixou de trabalhar, comprar novos Terroirs e fazer grandes vinhos.
BR – Não se acomodou?
PSG – Mesmo depois do dinheiro e da fama, continuou vivendo com sua esposa em Saint Emilion e fazendo vinhos apenas por lá (Saint Emilion e Pomerol), com uma única exceção em Maury (Languedoc), sociedade com Roger Calvet.
BR – Como se deu este relacionamento entre o Jean Luc e você?
PSG – Eu conheci o Jean Luc nas capas das principais revistas de vinho do mundo, nunca me passou pela cabeça a relação co-mercial e de amizade que tenho com ele. Passava em frente ao seu escritório (onde mais tarde foi construída a loja, l Essencial, em St Emilion) e observava os detalhes. Somente alguns anos depois tive a oportunidade de conhece-lo e começamos os negócios.
Breno – O Valandraud Premier Grand Cru Classé de Saint Emilion tornou-se um dos vinhos mais conceituados do mundo, particularmente no Japão, o que eleva o preço de suas garrafas às alturas (o Chateau de Valandraud 6 L 1999 custa R$22 000,00)… Mas tem Thunevin acessível aos comuns dos mortais?
PSG – Na loja temos vinhos do Thunevin a partir de R$ 69,90: Chateau Subilaux 2007, Presidial 2006, R$ 87,00; Domaine Virginie 2006/2009 (!)/2011, R$ 130,00; Bad Boy 2010 R$ 185,00; Languedoc como o Cuvee Constance 2009, R$ 99,00 gfs (Grenache e Syrah), L. Amourette 2009, R$ 153,00 (são vinificados em cubas de concreto, eu gosto muito do estilo destes caldos). Uma novidade: um Vin De France Baby Bad Boy 2009, um assemblage de vinhos de Grenache do Languedoc com Merlot de Fronsac e Saint Emilion, R$ 125,00, um vinho que está fazendo o maior sucesso com as mulheres!
BR – Diz a lenda que você tem os melhores compradores de grandes vinhos, que você foi acumulando desde 1988 quando abriu a Casa do Porto. É isso que te sustenta ou é isso e mais o comprador comum?
PSG – Comprar vinhos é um assemblage de experiência e talento, a sorte passa longe disso. O marketing pode funcionar, as medalhas, os prêmios etc. mas o principal ingrediente é o conhecimento: do lugar, do produtor, da safra e, claro, do mercado. O preço final e o sucesso nas vendas faz a confiança crescer com o passar dos anos. Sou comerciante de piso de loja e gosto muito da relação com o cliente, de conhecê-lo… O resto é lenda!