O PODER de mudar

Luiza Eluf é Procuradora de Justiça, e dedica sua vida à luta por direitos iguais e por um país melhor. Autora de diversos livros que falam sobre casos polêmicos na justiça brasileira, Luiza Eluf conta um pouco sobre o que conseguiu alcançar depois de todos esses anos de luta na política, fala sobre seus livros e sobre as diversas áreas em que atua até hoje.

Você pode nos contar sobre o que melhorou depois de tantos anos dedicados a defender os direitos da mulher? Ainda há o que se buscar nesse aspecto?
Luiza Eluf: Os movimentos sociais conseguiram vários avanços, a começar pela Constituição Federal de 1988, que equiparou mulheres e homens em direitos e obrigações, proibindo a discriminação seja por que razão for e contra quem for. Depois dela, tivemos uma reforma do Código Penal, que eliminou preconceitos contra a mulher. Conseguimos também a incriminação do assédio sexual, a reforma geral dos crimes sexuais, o reconhecimento da família de fato formadas pelas relações maritais não oficializadas, a equiparação dos direitos dos filhos, etc. Foram criadas as Delegacias de Defesa da Mulher, o que representou grande avanço na luta pelos direitos femininos. Mais recentemente, tivemos a Lei Maria da Penha, que é completa no sentido da proteção à mulher vítima de violência de gênero. No entanto, na vida cotidiana, as mulheres ainda sofrem discriminação quando pleiteiam espaço no mercado de trabalho, ainda ganham menos que os homens para executar as mesmas tarefas. Portanto, nossa luta terá que prosseguir por muito tempo.

Depois de ser umas das principais defensoras dos direitos humanos no país, agora você se dedica, entre outras coisas, ao meio ambiente e ao combate à corrupção. Para qual das causas você prevê uma melhora significativa em um futuro próximo?
Na verdade, eu sempre me dediquei ao meio ambiente e ao combate à corrupção. Ainda não consigo prever se a corrupção vai diminuir, se a devastação das florestas vai acabar, não sou muito otimista, mas farei o possível e o impossível para evitar que o nosso país continue sendo uma terra sem lei.

Na sua opinião, ingressar na política brasileira te ajudou de que forma na defesa de suas causas?
Ajudou muito, sem dúvida. Quando o poder está em nossas mãos, ou nas mãos de pessoas ho-nestas e preocupadas em realizar tarefas visando o interesse público, é muito mais fácil conseguir realizar coisas boas.

Por que você decidiu abordar o caso de Euclides da Cunha em um de seus livros de maior su-cesso, “Matar ou Morrer”?
Porque Ana de Assis, a esposa de Euclides, é sistematicamente acusada de ter causado a morte do escritor. Ela já foi achincalhada de todas as formas por puro preconceito contra a mulher. Minha intenção foi mostrar o outro lado da história, algo que ninguém diz: Ana tinha todo o direito de querer refazer sua vida com outro homem. Euclides morreu, mas não foi por culpa dela, foi por culpa dele mesmo, que improvisou um duelo com o amante de sua mulher e saiu perdedor.

Um dos objetivos de seus livros é levar a re-solução de casos complicados ao grande público? O que a motivou a começar a escrever?
Não estou preocupada com a resolução dos casos criminais, quando escrevo. Na verdade, estou pedindo às pessoas, mesmo que indiretamente, que não matem, não espanquem, não destruam as vidas dos próprios filhos, não sejam cruéis e não sejam machistas. Meus livros são um protesto contra a impunidade e um investimento em prevenção.

Rápidas

Lugar: bairros do Alto da Lapa e Bela Aliança
Música: Os botões da blusa, de Roberto Carlos
Estilo: tradicional
Restaurante: Italianos em geral
O que São Paulo precisa: despoluição, desenvolvimento planejado, proteção ambiental, melhorias no trânsito, na segurança pública, na saúde pública, na educação, na limpeza
O que São Paulo não precisa: mais shoppings centers, mais edifícios altíssimos, mais carros, mais gente.

 

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Luiza Eluf